sexta-feira, 12 de abril de 2019

Tortura, o nome que devia ser dado ao laser

Hoje fiz a segunda sessão de depilação a laser. Da primeira, antes de ir de férias, relembro a dor, os gritos contidos, e a Marta a tentar distrair-me, num quase monólogo.

Mas a dor é momentânea e, quando vemos os pêlos a cair, dá uma felicidade do caraças.

Convenci-me que ia avançar mais nas profundezas, mas nem eu nem ela, sabíamos da minha profunda religião.
É que chamei os santos todos, e só não rezei o Pai Nosso, porque era incapaz de articular uma frase completa.

Que dor. Tanta asneira, tanto salto, que eu dei. O que eu gritei.
Quando chegou a Ana, convencida por mim, a ir à tortura, agradeci já estar nas pernas, o que vale a uma dor relativa. Só um f-o-d-a-s-e muito demorado. Ou um c-a-r-a-l-h-o de quando em vez.

Ela entrou, perguntei se esperava por ela, porque ficava mais à vontade para gritar. Ela quis. Eu fiquei. Ela também gritou.

Dói para caraças, mas vai valer tanto a pena. Por analogia, pensei no sexo. Como perder a virgindade pode ser doloroso, mas depois é muito bom.






domingo, 7 de abril de 2019

Domingos

Gosto de acordar cedo ao domingo. É o meu dia preferido para madrugar. Quando ainda tudo está em silêncio e ainda oiço a natureza a despertar.

Mesmo nestes domingos nhanhentos e cinzentões, que noutras alturas, me dariam uma neura gigante, mas que hoje aplicando a regra dos 90/10, sou muito mais feliz.

E o que é isto dos 90/10? É permitir que os 10% de acontecimentos que não controlamos, estrague os restantes 90% do nosso dia.
Simples.

Gosto muito do cheiro da terra molhada e de ver as árvores a mudar de cor. De ver os pássaros a voar e ouvir os corvos por ai.

Depois lentamente, os vizinhos começam a seu ritmo a despertar, mantendo quase sempre padrões repetitivos.

Primeiro a do rés do chão em frente, depois os do outro lado. A seguir o segundo esquerdo e por aí fora.

Os cães são passeados, com as voltas meticulosamente cumpridas. Excepto hoje que chove.

E o "anda Diego! Despacha-te!" - repetido sempre por volta das 9:30. Não aconteceu.
Mas alguém está a limpar vidros em dias de chuva. Afincadamente.

Será que achar piada é uma forma de crítica? Ou será impossível para mim cumprir 21 dias do desafio, do não julgamento e críticas, incluindo a auto.

sábado, 6 de abril de 2019

Luas novas

Eu ainda não estava bem, continuava a alimentar fantasias, a sobrevalorizar uma relação, que no fundo, só teve verdade de um lado. O outro lado ficou suspenso em 1986.
A brincar às relações.

No entanto, diziam os astros que em Março tudo mudaria. E o mês foi passando e, efectivamente, tudo mudou.

Ganhei um grupo fantástico de amigos, nas duas formações, que estou a tirar. Para além da terceira que começou ontem.

Fui de viagem, ainda bem longe das respostas que queria, mas com um plano muito definido, sobre o que queria fazer.

 E cheguei lá, simplesmente caguei para tudo e apenas vivi. Aproveitei cada momento. Sempre.
 Na dádiva. 
E voltei com vontades.
Sem certezas.

 Depois de 1 dia de viagem, 3 aviões e muitas horas de espera, cheguei a casa, tomei banho e fui para o curso, falar de perdão. 
Sem ainda o conseguir fazer.

Mas um dia tudo muda. 
Porque no dia em que fiquei pronta, também vi a verdade. E ganhei tantas certezas.
 Que perdoei e até agradeci.

A lua nova em carneiro durante estes dias, dava a oportunidade de nos centrar  em objetivos concretos, de plantar sementes para o futuro.
E assim foi...

Vai ser um grande ano, com dois sonhos e infinitas possibilidades para concretizar.
Sem expectativas. Só metas e objetivos. 
Assim é! 

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Zanzibar, a viagem que se entranhou no meu Adn.

" O sucesso é igual ao resultado, menos as expectativas."

Viver. Só viver.
 Agora.
Não foi, nem será. 
É já. 
Ao instante.

Dançar todos os dias, descalça, até ganhar bolhas nos pés. 
Falar com pessoas novas, todos os dias. E com as mesmas. Repeti Jambo, Jambo (olá) continuamente. Hakuna Matata, igual. 
Aprendi palavras e ensinei outras, numa repetida troca de empenho. 
Fui tocada subtilmente e seduzida à descarada. Desejada e despida em pensamentos alheios. 
O mercúrio estava retrógrado, a lua cheia, e um monte de contraindicações.
A terra, o mar. Abraçar árvores e pessoas. 
Aprender, ensinar, dar.
Amar.
Cada momento.


Entregar-me. Sem pudor. Aproveitar. 
Fiz hidroginástica quase sem pé, e aprendi a contar até 3, com a coreografia final. Joguei à bola e marquei um golo à CR7. Fiz passagem de modelos de trajes típicos, e ganhei uma massagem, como primeiro prémio. 
Falei línguas diferentes. Tentei entender línguas. 
Fiz filmes em inglês e italiano. 
Joguei bilhar, com tacos sem giz e ganhei nos matraquilhos.
Ouvia o meu nome várias vezes. Ou Bonjour chérie ou Buongiorno bella.
Caminhei na praia de bikini, com dois homens e ouvia as miúdas a chamarem-me de "infiel". Vi um casamento na praia e os homens no mercado do peixe. À distância. 

Falei com turcos e com checos. Pus os checos a dançar, numa mistura de combate medieval com boxe. Ela perdida de "drunk". Sem conseguir articular uma palavra em inglês perceptível. Excepto quando falou do Maasai, de cabelo comprido. Girl's talk.

Dancei coreografias, várias vezes ao dia, até já falhar pouco.
Pisei bichos dentro de água, que deitam tinta vermelha. E fiquei maravilhada. Procurei estrelas do mar e vi ouriços coloridos. Vi, pela primeira vez, o céu do hemisfério sul, e perdi-me na imensidão das estrelas.

Nos primeiros dias o mar estava muito quente. Soup. 
Para cima dos 30 graus. 


Nadei com centenas de peixes, e agradeci ao ex, ter aprendido a fazer snoorkling. 
Ri à descarada.
Segurei em tartarugas e tive lémures na varanda, durante a noite. 
Falei com o diretor e o dono do hotel em português. Tentaram fazer-me um "arranjinho" com um brasileiro perdido por lá. E riram à gargalhada com a palavra.
Traduzi francês de um casal de Paris para o Pablo, e fotografaram-me as tattoos.
Comi lagosta grelhada e lulas com batatas fritas na praia. E o melhor risoto de lagosta da minha vida (e único!)
Vi um por do sol lindo, numa praia demasiado turística.

Assisti a espetáculos incríveis. 
Senti coisas únicas.
Senti-me.
Em cada momento.
O meu instinto. A minha dádiva.

Zanzibar, trouxe-me de volta sonhos de menina, e a vida só me devolveu ao caminho. 












sexta-feira, 22 de março de 2019

A viagem...

Acabei a voar pela Emirates para o Dubai, num voo extraordinário, onde tinha uma fila inteira vazia só para mim. Do Dubai a Zanzibar, foram quase 6 horas, num voo muito baixo, que permitiu ver paisagens absurdamente incríveis.

À chegada, um aperto de segurança brutal 😁😁, estava um polícia à saída do avião, a controlar os cartões de embarque. No aeroporto, ah ah ah, passei o controle do passaporte rapidamente, porque tinha tratado do visto online. Fui comprar o cartão de telemóvel, trocar dinheiro e quando estava para sair, sou abordada por outro polícia, que se questionava com o facto de só ter aquela bagagem.

Chego ao hotel, depois de uma hora de transfer privado, e só pergunto pela praia. A amplitude das marés é tão grande, que com maré cheia não se consegue ir ao mar, e com a maré vazia fica tão, mas tão longe...

Que só dei um mergulho na piscina...

Hoje de manhã, maré vazia, decido fazer uma caminhada, e tenho logo um Masai, que não me larga. Conta-me que, contrariamente à maioria islamita da ilha, os Masai sao católicos, e aproveito para lhe dizer que a educação é a única forma de mudar o mundo. Isto tudo porque comecei a apanhar o lixo pelo caminho.
Aprendo que as duas palavras mais usadas por aqui, são Jambo e Hakuna Matata, porque aqui está sempre tudo bem.



quarta-feira, 20 de março de 2019

Ainda não fui e....

A esta hora devia estar a chegar a Amesterdão. No entanto, já almocei no aeroporto, fui a casa e voltei novamente. Ontem, uma amiga perguntava-me se estava nervosa. Respondi que tinha um grilo em mim. Um misto de nervosismo com pressentimento. Acordei às três da manhã, com insónias. O que não acontecia há semanas.
Cheguei ao aeroporto com tempo, até receber a informação do atraso no primeiro voo, o que me fazia perder as restantes ligações. Mas mantive a disposição.
Recebo mais tarde a indicação que todos os voos tinham sido alterados, e só tenho voo no final do dia.
Recebo entretanto a confirmação da aprovação do meu visto.
Decido ir a casa, imprimir tudo e falar com a agência de viagens, por causa dos transferes.
Trato de tudo.
Volto para o aeroporto. Apanho um Uber todo simpático, que se fartou de aprender coisas novas comigo.
Faço o check in e a funcionária fala do visto, que às vezes, no destino custa o dobro. Ainda bem que fui a casa! Pensei eu 😁
Decido ficar na rua, a apanhar o último sol de Lisboa, e ao meu lado está um estrangeiro, com quem acabei de me cruzar no corredor de longo curso, e me fez uma festa, como se fosse a melhor amiga dele. Talvez seja, talvez!
Vou agora, finalmente embarcar e daqui a muitas horas, hei-de de chegar, pela primeira vez, ao hemisfério sul.

[A cumprir, o primeiro dos seis posts, que me comprometi a fazer...]

quinta-feira, 7 de março de 2019

Dia de Luto Pelas Vítimas de Violência Doméstica


2019.
Março.
Sete.

Véspera do Dia Internacional da Mulher.

Já morreram 12 mulheres este ano. 
Foi encontrada a cabeça de outra hoje.
Volto a repetir.

07.03.2019.
Portugal.

Não é nos confins do mundo.
 É mesmo aqui.

Homens que agridem mulheres, sempre me meteram nojo.
NOJO.

Sei que as suas histórias, não são fáceis. Também eles foram agredidos, violentados. Abusados. Que nunca ninguém lhes ensinou que Amor, é tão diferente de posse e compulsão.
Mas o facto de terem sido vítimas, não os desculpabiliza de serem agressores.

 Nunca.

Só que hoje é dia de honrar as mulheres.

No entanto, não é com cartazes que se fazem campanhas eficazes. 
Por muito impactantes que possam ser.

É preciso dar ferramentas às mulheres para mudarem a sua vida. A sua condição. De ganharem Amor Próprio, Autoestima e Coragem. Para que o medo não as paralise. É necessário aulas de defesa pessoal e planos de fuga. OU Planos. Uma variedade de planos. Para que as vítimas se sintam protegidas e seguras.

Numa rede informal de ajuda, quem sabe?

Casas Abrigo, fora das redes formais, que sabemos que têm muitas lacunas. Não há comunicação entre as estruturas do Estado, como podemos garantir a segurança das mulheres?
Sabemos que o sistema funciona mal. Mas podemos mudar.
Temos que mudar.

A todas as mulheres que (ainda) não acreditam, é possível.
Reagir, Reprogramar, Viver.
SER.

Bruxas??!

 Dia de todos os Santos e o meu gato desaparece misteriosamente??!! {Primeiro uma tartaruga, agora um gato??} Não há bruxas o car****