Deveria escrever. Assim como tomar decisões, que não estou preparada. Cheguei há duas semanas. Continuo no fuso horário de África, com um ritmo pole pole. Falo com Paris e Zanzibar, na mesma língua, todos os dias.
Foram muito poucas as pessoas com quem falei, desde que voltei. Só revi uma amiga. E das poucas que senti verdadeiramente a falta. Talvez por saber que ela precisava de mim, mais do que qualquer outra.
Não estou habituada às luzes e aos aviões nos céus. Sinto-me desfasada. Do tempo, no espaço.
Voltei para casa, o meu suposto lugar seguro do mundo, e todas as noites sonho em partir. Não é aqui que quero estar. África tem o poder de se entranhar, e de não nos deixar esquecer, de onde são as nossas raízes.
África, sempre foi e será um sonho. O de ir e o de regressar. Feito sempre a dois tempos. Ir e voltar.
Lá fora, vizinhos discutem, e um adolescente grita. Não estou habituada a barulho, excepto de músicas típicas e corvos desaustinados.
Faz-me lembrar o meu pequeno Edward. Dois anos, de criança de sorriso aberto e abraço estendido. Criança de esperança, numa família Masai, ainda tribal.
Edward, a arder de febre, de manhã à noite, com uma amigdalite. Com a boca carregada de aftas. Às vezes, temos de ultrapassar o correto, quando todas as outras situações de emergência nos falham. Especialmente a comunicação.
Sinto saudades da minha tribo Masai. Mesmo carregando em mim, as suas pulseiras nos tornozelos.
White Masai - tantas vezes me chamaram.
A futura presidente de Zanzibar, como me gozava a minha companheira, destes tempos.
Quem sabe. Um dia já quis ir para a política. Só que não tenho feitio para engolir sapos.
Tenho esfregado o chão e as paredes, numa tentativa frouxa de limpar as minhas sombras. Foi um ano de carrocel. Altos e baixos. Com uma descida vertiginosa, no fim de outubro de 2018.
Casei por amor, divorciei-me contrariada. Descobri em mim, poderes incríveis e nele, as sombras por revelar.
Volto a Zanzibar.
Já voltei à demasiado tempo. Continuo a pensar que não estou no "right place".
"Você precisa de um lugar quente e húmido!" - dizia-me o pneumologista na sexta-feira.
Isso sei eu.
Isso sei eu!!!
Tenho saudades. De ver o mar a ir e a vir. Pintado de todas as cores. Verde, azul. A areia fina. Os cheiros da terra, e das pessoas. O cheiro de Stone Town, que reconhecia logo à entrada. Um misto de lixo, plástico queimado e animais pela rua. Pessoas vestidas de todas as cores, ou panos pretos com olhos. Aqui convivem, numa aparente sintonia: mulçumanos e católicos. Em dois extremos de pobreza.
Numa vida ainda tribal, que a nós pode chocar.
É uma viagem pela história ao vivo.
Os Masai, povo que vive nas savanas africanas, ainda vivem em tribo. Mesmo com smartphones e Facebook. São católicos. Vivem em aldeias, onde cozinham a lenha, na rua. As mulheres fazem pulseiras de missangas. Sentadas no chão. De trapos azuis e descalças. Sem cabelo. Sorriso franco e sofrido. É para "nhame nhame". E para água.
Lidar com fome e sede, dói muito.
Dói mesmo.
Mas tenho a experiência de me saber salvaguardar. Já sei que não tenho o poder de salvar o mundo. Apesar de às vezes, ainda sonhar com isso.
Acabei de comer um maracujá. Dos nossos. Temos do melhor maracujá do mundo, por onde andei. Mas Zanzibar tem a melhor manga. Doce, deliciosa, consistente, sem fio. Perfeita.
Tenho saudades do risoto de lagosta e de caranguejo. Do melhor nogat de amendoim que já comi. E dos crepes do pequeno almoço. A melancia às 11 da manhã e as pipocas às 17. Mesmo antes de começar a sinfonia de canários para o por do sol.
12 horas de luz.
3 pores do sol. Dois nasceres fotografados.
(O caraças do meu novo vizinho velho, tem um toque de telemóvel, que me endoidece. Um misto de um pato com uma sirene.)
Tenho fotos com peixes, mas não consegui nenhuma selfish. Vi-me lixada para sair da água, em Mnemba. Na verdade, vi-me fodida. A água estava demasiado fria, com muita corrente e poucos peixes. Quando cheguei ao barco, agradeci a Alá. É importante agradecer ao Deus, onde estamos. ( É só uma piada!)
Na verdade, as sirenes de chamada para a reza, são demasiado penetrantes para que nos esqueçamos delas. 5 vezes ao dia. A primeira antes do nascer do sol. Todos os dias. Por ali não há desculpas.
Só muitas contradições.
É como encontrar masais na discoteca, e só os reconhecer pelas pulseiras. Agarrados a velhas. Agarrados a novas.
A dançar com aquela ginga especial. A alegria do momento.
Amanhã é longe demais - não gosto particularmente da música, mas adapta-se na perfeição.
Waikiki, sextas à noite. 30 minutos para cada lado. Pista na areia. Tambores e danças africanas em varandas. Cuspidores de fogo, só para dar aquele cheiro nauseabundo do querestese. Ou qualquer coisa dessa natureza.
A música não é grande coisa, mas serve para os italianos fazerem as coreografias com os locais.
Uma negra abana-se até eu ficar tonta, e lanço um - i hope you like meat...
Tenho testado o meu humor em inglês. Não é fácil. Sempre foi o meu calcanhar de Aquiles. Não que falasse melhor outra língua, mas o francês era fácil para mim.
Ainda hoje, apesar de não falar, consigo entender.
Nada como viajar para aprendermos. Viajar , viajar dentro, fora. Viajar por dentro de nós.
Estou a fazer uma canja. É domingo e preciso de conforto. A máquina da roupa acabou de lavar.
Como a canja e biscoitos de canela.
Ainda não estendo a roupa.
Fernão de Magalhães, foi morto por canibais, em 1521, em Mactan.
Quero ir às Filipinas. O Fernão é só uma private joke.
É segunda-feira. Está sol. Já limpei a liteira dos gatos e despejei dois sacos de lixo. A roupa ainda está húmida. Os gatos chateiam a tartaruga, que está no seu passeio matinal. Continua sem nome, apesar de estar enorme e cheia de manias.
Relembra-me Prison Island, reserva de tartarugas gigantes das Seicheles, onde outrora (quase que) foi uma prisão de escravos.
Quando era miúda e respondia à pergunta parva, de qual o animal que gostaria de ser, era a tartaruga que escolhia. Porque vivem para caraças. Não percebendo eu, ainda na altura, que não é viver muito, mas viver com tudo, que é importante.
Das muitas contradições da minha vida, a mais recente chama-se Coach de Relacionamentos. Eu, o verdadeiro sentido, do azar ao amor, tenho 18 valores no curso de coaching de relacionamentos. Dá-me uma certa piada.
Especialmente, agora que acabei de saber, que o ex já casou. Podia ficar triste, descabelar-me, ou chorar até ficar feia. No entanto, o abalo nem deu para fazer estragos.
Os gatos dormem na mesa da cozinha e fico feliz, com a sua versatilidade. Da mesa, claro. Não sei porque é que eu alérgica a gatos, tenho dois cheios de pêlo.
Deve ser a mesma razão, porque adoro fazer macramé, mesmo ficando horas a tossir.
Tenho uma peça começada, pendurada nas escadas, e um candeeiro para terminar. Mas está muito húmido e não é bom para os meus pulmões. Esta entrada no outono mata-me lentamente.
E já passou quase um ano.
Neste momento, parece que passaram muitos mais. Porque colecionei memórias. E histórias. E adicionei pessoas, línguas e países. Fui estudar. Estudei muito.
Dei workshops. Chorei e ri. Chorei até rir, ri até chorar. Dancei como nunca. Apresentei-me às sombras. Descobri o meu Deus - em mim, e aprendi uma oração em hindu. Tenho-a partilhado, porque acredito verdadeiramente, no seu poder.
Tenho um buda no corredor, é uma estrela de David, desenhada nas unhas. A semana passada entrei na Igreja Matriz de Lisboa e rezei. E acendi uma vela nos Jerónimos.
Agradeci.
Bebi vinho nas muralhas do Castelo de S. Jorge. Os copos são inquebráveis, mas a 8€ o copo de vinho, a bebedeira não é grande.
Se lhe acrescentarmos a amêndoa amarga, a ginga nos Restaurantes, e mais uma garrafa ao jantar, podemos ficar a dançar "toda a noite", no meio da rua.
Memórias.
Mostrar mensagens com a etiqueta #viagemdealma##soeuemviagem##zanzibar##travelalone#. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta #viagemdealma##soeuemviagem##zanzibar##travelalone#. Mostrar todas as mensagens
terça-feira, 24 de setembro de 2019
sexta-feira, 19 de julho de 2019
Viajar no mercúrio retrógado
17 de julho, 15:00
Chego ao aeroporto de Lisboa. Despacho os 23 kg de bagagem e continuo com 8 às costas.
Estava com uma ansiedade brutal, fruto de semanas sem dormir, um curso para acabar, e 3 voos pela frente. Sentia apenas que a viagem ia ser complicada.
Foi.
Por volta das 16:00 sai a informação que o meu voo para Madrid, ia sofrer uma hora e meia de atraso. Para mim, era claro que já não apanhava a ligação, mas para a TAP, não era assim tão certo.
O meu voo previsto para as 19:00, saiu às 20:40, e cheguei a Madrid, a ver o avião onde deveria ir, descolar. Quando sai do avião, tinha uma hospedeira a dizer-me para ir buscar a mala, e ir procurar os escritórios da WFS, no terminal 1.
Assim fiz.
23kg + 8 kg para o terminal 1, onde apanho o escritório fechado. Vou às informações, e está um espanhol asiático, que me diz que agora está fechado e só amanhã. Começo a ter palpitações.
Procuro outra pessoa com farda da WFS, que não me sabe dizer nada, mas que me diz que os escritórios do terminal 2 estão abertos.
Nesta altura, perto da 00:00 volto a correr o aeroporto, até encontrar a porcaria dos escritórios.
À minha frente, portugueses, claro está. Também iam no outro voo para a Etiópia como eu.
Eles, em lua de mel.
Iam-me dar um quarto num hotel, mais um voucher e seguiria viagem, ao 12:00 para Istambul, e depois para Zanzibar.
Chego ao hotel por volta da 1 da manhã e recebo um saco plástico com o jantar. Foda-se, mas isto é que é o voucher do jantar?!?
Adormeci tardissímo! Nem a cama imaculadamente branca, me deu o descanso que precisava. Adormeci de manhã e já não fui ao pequeno almoço.
Volto a cruzar-me com o casal no check in.
Também gozaram com o jantar. Mas eles tomaram o pequeno almoço.
Mais 3 horas no aeroporto.
Outras 5:30 até Istambul.
Aeroporto gigante e dos mais giros onde tive. Mas o tempo da escala foi quase todo para chegar à porta de embarque.
Mais 7 horas de voo.
Chego a Zanzibar, às 3 da manhã, do dia 19. Sexta-feira.
Passo o visto, já sei o que vai acontecer. Vou direta comprar o cartão de internet, trocar dinheiro e buscar a mala. Passo a mala pelo raio x, e vou procurar o meu motorista.
Não está.
São 3:30.
Ligo, percebo que há-de chegar.
Espero. Eu, as malas e o cansaço.
Ele aparece.
Ainda tenho uma hora de carro até ao hotel.
No caminho atropelamos um lemúre, que se atravessou na estrada. Fiquei arrasada.
Mais à frente, cabras a dormir na estrada.
E uma mota com um gajo e duas fulanas. A detrás demasiado despida para uma mulçumana. Demasiado. E bêbados.
Uma total surpresa, para mim.
Para ele, nem tanto. Vieram de uma festa e ela antes de chegar a casa veste-se, e está tudo bem.
Chego por volta das 5.
Fico num quarto com vista de praia. Oiço as ondas. Sei por isso que está maré cheia e de manhã não vai haver mar.
Às 6, cai uma carga de água e oiço o chamamento para as mesquitas.
Durmo até às 8:30.
Vou ao pequeno almoço, fazer o check in e ver os amigos.
Não me consigo mexer. E passo o dia assim. Marquei uma massagem na praia. E conseguia ouvir os nós das costas.
Aproveitei o relaxamento e dormi 2 horas de sesta.
Jantei, dancei a coreografia da praxe. É 00:00. Estou na cama a escrever este post.
Viajar é ganhar histórias para contar, mas viajar com mercúrio retrógado, é do caraças!!
Hakuna Matata.
Chego ao aeroporto de Lisboa. Despacho os 23 kg de bagagem e continuo com 8 às costas.
Estava com uma ansiedade brutal, fruto de semanas sem dormir, um curso para acabar, e 3 voos pela frente. Sentia apenas que a viagem ia ser complicada.
Foi.
Por volta das 16:00 sai a informação que o meu voo para Madrid, ia sofrer uma hora e meia de atraso. Para mim, era claro que já não apanhava a ligação, mas para a TAP, não era assim tão certo.
O meu voo previsto para as 19:00, saiu às 20:40, e cheguei a Madrid, a ver o avião onde deveria ir, descolar. Quando sai do avião, tinha uma hospedeira a dizer-me para ir buscar a mala, e ir procurar os escritórios da WFS, no terminal 1.
Assim fiz.
23kg + 8 kg para o terminal 1, onde apanho o escritório fechado. Vou às informações, e está um espanhol asiático, que me diz que agora está fechado e só amanhã. Começo a ter palpitações.
Procuro outra pessoa com farda da WFS, que não me sabe dizer nada, mas que me diz que os escritórios do terminal 2 estão abertos.
Nesta altura, perto da 00:00 volto a correr o aeroporto, até encontrar a porcaria dos escritórios.
À minha frente, portugueses, claro está. Também iam no outro voo para a Etiópia como eu.
Eles, em lua de mel.
Iam-me dar um quarto num hotel, mais um voucher e seguiria viagem, ao 12:00 para Istambul, e depois para Zanzibar.
Chego ao hotel por volta da 1 da manhã e recebo um saco plástico com o jantar. Foda-se, mas isto é que é o voucher do jantar?!?
Adormeci tardissímo! Nem a cama imaculadamente branca, me deu o descanso que precisava. Adormeci de manhã e já não fui ao pequeno almoço.
Volto a cruzar-me com o casal no check in.
Também gozaram com o jantar. Mas eles tomaram o pequeno almoço.
Mais 3 horas no aeroporto.
Outras 5:30 até Istambul.
Aeroporto gigante e dos mais giros onde tive. Mas o tempo da escala foi quase todo para chegar à porta de embarque.
Mais 7 horas de voo.
Chego a Zanzibar, às 3 da manhã, do dia 19. Sexta-feira.
Passo o visto, já sei o que vai acontecer. Vou direta comprar o cartão de internet, trocar dinheiro e buscar a mala. Passo a mala pelo raio x, e vou procurar o meu motorista.
Não está.
São 3:30.
Ligo, percebo que há-de chegar.
Espero. Eu, as malas e o cansaço.
Ele aparece.
Ainda tenho uma hora de carro até ao hotel.
No caminho atropelamos um lemúre, que se atravessou na estrada. Fiquei arrasada.
Mais à frente, cabras a dormir na estrada.
E uma mota com um gajo e duas fulanas. A detrás demasiado despida para uma mulçumana. Demasiado. E bêbados.
Uma total surpresa, para mim.
Para ele, nem tanto. Vieram de uma festa e ela antes de chegar a casa veste-se, e está tudo bem.
Chego por volta das 5.
Fico num quarto com vista de praia. Oiço as ondas. Sei por isso que está maré cheia e de manhã não vai haver mar.
Às 6, cai uma carga de água e oiço o chamamento para as mesquitas.
Durmo até às 8:30.
Vou ao pequeno almoço, fazer o check in e ver os amigos.
Não me consigo mexer. E passo o dia assim. Marquei uma massagem na praia. E conseguia ouvir os nós das costas.
Aproveitei o relaxamento e dormi 2 horas de sesta.
Jantei, dancei a coreografia da praxe. É 00:00. Estou na cama a escrever este post.
Viajar é ganhar histórias para contar, mas viajar com mercúrio retrógado, é do caraças!!
Hakuna Matata.
quarta-feira, 17 de julho de 2019
É hoje.
Falta-me fechar a mala, e escolher a roupa da viagem.
Imprimir cartões de embarque.
É 00:20 e tenho ainda dois trabalhos para acabar, para concluir o meu quarto curso deste ano.
Tirei o gel das unhas, cortei o cabelo e não pintei.
Tenho mais cabelos brancos que madeixas loiras e isso podia irritar-me anteriormente, mas nesta altura faz-me rir. Tenho as mamas descaídas a precisarem de um sopro de silicone, os braços demasiado elásticos e celulite que finjo que o verão esconde. Também na verdade, podia me preocupar com tudo isso e com as olheiras que carrego, em forma de panda permanente.
Podia também fingir que na mala carrego vários conjuntos a fazer pandant, mas os meus quase 23 quilos de bagagem, levam muito mais que isso. Levam um sonho com mais de 30 anos. Da menina sonhadora que queria mudar o mundo. Sei bem agora que não vou mudar o mundo, mas ganhei a certeza que o meu mundo vai mudar, crescer, expandir. Quando voltar, trarei muitos menos quilos na mala. Mas o que trarei na alma não se pesa.
To Be continued....
Imprimir cartões de embarque.
É 00:20 e tenho ainda dois trabalhos para acabar, para concluir o meu quarto curso deste ano.
Tirei o gel das unhas, cortei o cabelo e não pintei.
Tenho mais cabelos brancos que madeixas loiras e isso podia irritar-me anteriormente, mas nesta altura faz-me rir. Tenho as mamas descaídas a precisarem de um sopro de silicone, os braços demasiado elásticos e celulite que finjo que o verão esconde. Também na verdade, podia me preocupar com tudo isso e com as olheiras que carrego, em forma de panda permanente.
Podia também fingir que na mala carrego vários conjuntos a fazer pandant, mas os meus quase 23 quilos de bagagem, levam muito mais que isso. Levam um sonho com mais de 30 anos. Da menina sonhadora que queria mudar o mundo. Sei bem agora que não vou mudar o mundo, mas ganhei a certeza que o meu mundo vai mudar, crescer, expandir. Quando voltar, trarei muitos menos quilos na mala. Mas o que trarei na alma não se pesa.
To Be continued....
segunda-feira, 1 de abril de 2019
Zanzibar, a viagem que se entranhou no meu Adn.
" O sucesso é igual ao resultado, menos as
expectativas."
Viver. Só viver.
Agora.
Não foi, nem será.
É já.
Ao instante.
Dançar todos os dias, descalça, até ganhar bolhas nos pés.
Falar
com pessoas novas, todos os dias. E com as mesmas. Repeti Jambo, Jambo (olá)
continuamente. Hakuna Matata, igual.
Aprendi palavras e ensinei outras, numa
repetida troca de empenho.
Fui tocada subtilmente e seduzida à descarada. Desejada e despida
em pensamentos alheios.
O mercúrio estava retrógrado, a lua cheia, e um monte de contraindicações.
A terra, o mar. Abraçar árvores e pessoas.
Aprender, ensinar, dar.
Amar.
Cada momento.
Entregar-me. Sem pudor. Aproveitar.
Fiz hidroginástica quase sem pé, e aprendi a contar até 3, com a
coreografia final. Joguei à bola e marquei um golo à CR7. Fiz passagem de
modelos de trajes típicos, e ganhei uma massagem, como primeiro prémio.
Falei línguas diferentes. Tentei entender línguas.
Fiz filmes em inglês e italiano.
Joguei bilhar, com tacos sem giz e ganhei nos matraquilhos.
Ouvia o meu nome várias vezes. Ou Bonjour chérie ou Buongiorno
bella.
Caminhei na praia de bikini, com dois homens e ouvia as miúdas a
chamarem-me de "infiel". Vi um casamento na praia e os homens no
mercado do peixe. À distância.
Falei com turcos e com checos. Pus os checos a dançar, numa
mistura de combate medieval com boxe. Ela perdida de "drunk". Sem
conseguir articular uma palavra em inglês perceptível. Excepto quando falou do
Maasai, de cabelo comprido. Girl's talk.
Dancei coreografias, várias vezes ao dia, até já falhar pouco.
Pisei bichos dentro de água, que deitam tinta vermelha. E fiquei
maravilhada. Procurei estrelas do mar e vi ouriços coloridos. Vi, pela primeira
vez, o céu do hemisfério sul, e perdi-me na imensidão das estrelas.
Nos primeiros dias o mar estava muito quente. Soup.
Para cima dos 30 graus.
Nadei com centenas de peixes, e agradeci ao ex, ter aprendido a fazer snoorkling.
Ri à descarada.
Segurei em tartarugas e tive lémures na varanda, durante a noite.
Falei com o diretor e o dono do hotel em português. Tentaram fazer-me um "arranjinho" com um brasileiro perdido por lá. E riram à gargalhada com a palavra.
Traduzi francês de um casal de Paris para o Pablo, e fotografaram-me as tattoos.
Comi lagosta grelhada e lulas com batatas fritas na praia. E o melhor risoto de lagosta da minha vida (e único!)
Vi um por do sol lindo, numa praia demasiado turística.
Assisti a espetáculos incríveis.
Senti coisas únicas.
Senti-me.
Em cada momento.
O meu instinto. A minha dádiva.
Zanzibar, trouxe-me de volta sonhos de menina, e a vida só me devolveu ao caminho.
Subscrever:
Comentários (Atom)
Bruxas??!
Dia de todos os Santos e o meu gato desaparece misteriosamente??!! {Primeiro uma tartaruga, agora um gato??} Não há bruxas o car****
-
Dia de todos os Santos e o meu gato desaparece misteriosamente??!! {Primeiro uma tartaruga, agora um gato??} Não há bruxas o car****
-
Almoço, dia de aniversários, do meu lado esquerdo o Padre, meu patrão. De repente, aproximo-me do seu pescoço. Cheiro-o, volto a cheirar. ...
-
Há algum tempo li, não sei bem onde, a ideia de se guardarem sementes de fruta, e de as atirar para o campo. Para além de podermos semear á...







