sexta-feira, 19 de julho de 2019

Viajar no mercúrio retrógado

17 de julho, 15:00

Chego ao aeroporto de Lisboa. Despacho os 23 kg de bagagem e continuo com 8 às costas.

Estava com uma ansiedade brutal, fruto de semanas sem dormir, um curso para acabar, e 3 voos pela frente. Sentia apenas que a viagem ia ser complicada.

Foi.

Por volta das 16:00 sai a informação que o meu voo para Madrid, ia sofrer uma hora e meia de atraso. Para mim, era claro que já não apanhava a ligação, mas para a TAP, não era assim tão certo.

O meu voo previsto para as 19:00, saiu às 20:40, e cheguei a Madrid, a ver o avião onde deveria ir, descolar. Quando sai do avião, tinha uma hospedeira a dizer-me para ir buscar a mala, e ir procurar os escritórios da WFS, no terminal 1.

Assim fiz.

 23kg + 8 kg para o terminal 1, onde apanho o escritório fechado. Vou às informações, e está um espanhol asiático, que me diz que agora está fechado e só amanhã. Começo a ter palpitações.

Procuro outra pessoa com farda da WFS, que não me sabe dizer nada, mas que me diz que os escritórios do terminal 2 estão abertos.

Nesta altura, perto da 00:00  volto a correr o aeroporto, até encontrar a porcaria dos escritórios.
À minha frente, portugueses, claro está. Também iam no outro voo para a Etiópia como eu.

Eles, em lua de mel.

Iam-me dar um quarto num hotel, mais um voucher e seguiria viagem, ao 12:00 para Istambul, e depois para Zanzibar.
Chego ao hotel por volta da 1 da manhã e recebo um saco plástico com o jantar. Foda-se, mas isto é que é o voucher do jantar?!?

Adormeci tardissímo! Nem a cama imaculadamente branca, me deu o descanso que precisava. Adormeci de manhã e já não fui ao pequeno almoço.
Volto a cruzar-me com o casal no check in.
Também gozaram com o jantar. Mas eles tomaram o pequeno almoço.

Mais 3 horas no aeroporto.
Outras 5:30 até Istambul.
Aeroporto gigante e dos mais giros onde tive. Mas o tempo da escala foi quase todo para chegar à porta de embarque.

Mais 7 horas de voo.

Chego a Zanzibar, às 3 da manhã, do dia 19. Sexta-feira.
Passo o visto, já sei o que vai acontecer. Vou direta comprar o cartão de internet, trocar dinheiro e buscar a mala. Passo a mala pelo raio x, e vou procurar o meu motorista.
Não está.

São 3:30.
Ligo, percebo que há-de chegar.
Espero. Eu, as malas e o cansaço.
Ele aparece.
Ainda tenho uma hora de carro até ao hotel.
No caminho atropelamos um lemúre, que se atravessou na estrada. Fiquei arrasada.
Mais à frente, cabras a dormir na estrada.

E uma mota com um gajo e duas fulanas. A detrás demasiado despida para uma mulçumana. Demasiado. E bêbados.
Uma total surpresa, para mim.
Para ele, nem tanto. Vieram de uma festa e ela antes de chegar a casa veste-se, e está tudo bem.

Chego por volta das 5.

Fico num quarto com vista de praia. Oiço as ondas. Sei por isso que está maré cheia e de manhã não vai haver mar.
Às 6, cai uma carga de água e oiço o chamamento para as mesquitas.
Durmo até às 8:30.

Vou ao pequeno almoço, fazer o check in e ver os amigos.

Não me consigo mexer. E passo o dia assim. Marquei uma massagem na praia. E conseguia ouvir os nós das costas.
Aproveitei o relaxamento e dormi 2 horas de sesta.

Jantei, dancei a coreografia da praxe. É 00:00. Estou na cama a escrever este post.

Viajar é ganhar histórias para contar, mas viajar com mercúrio retrógado, é do caraças!!

Hakuna Matata.






quarta-feira, 17 de julho de 2019

É hoje.

Falta-me fechar a mala, e escolher a roupa da viagem.
 Imprimir cartões de embarque.
É 00:20 e tenho ainda dois trabalhos para acabar, para concluir o meu quarto curso deste ano.

Tirei o gel das unhas, cortei o cabelo e não pintei.
Tenho mais cabelos brancos que madeixas loiras e isso podia irritar-me anteriormente, mas nesta altura faz-me rir. Tenho as mamas descaídas a precisarem de um sopro de silicone, os braços demasiado elásticos e celulite que finjo que o verão esconde. Também na verdade, podia me preocupar com tudo isso e com as olheiras que carrego, em forma de panda permanente.

Podia também fingir que na mala carrego vários conjuntos a fazer pandant, mas os meus quase 23 quilos de bagagem, levam muito mais que isso. Levam um sonho com mais de 30 anos. Da menina sonhadora que queria mudar o mundo. Sei bem agora que não vou mudar o mundo, mas ganhei a certeza que o meu mundo vai mudar, crescer, expandir. Quando voltar, trarei muitos menos quilos na mala. Mas o que trarei na alma não se pesa.

To Be continued....


terça-feira, 9 de julho de 2019

Mercúrio retrógado ( again) e a mala de viagem...

Não sei se sabem mas astrologicamente estamos num período bem fadjojo. A palavra não é bem esta, nem existe, mas eu gosto dela.

Como estava a dizer, mercúrio retrógrado, eclipses, e mais uma combinação potente de conjunções perigosas.

Sabem o que rege mercúrio?
....

Sim? Boa!

Não?

( Ufa, alguém que vai aprender alguma coisa hoje.)

Muito resumidamente:

Mercúrio rege as viagens e a comunicação.


Retrógrado: evitar viagens e assinar contratos.

.....

.....

Quem é que vai viajar?

Milhares de pessoas.

 Como é óbvio.

E eu! 


Quem tem uma mala para fazer com uma check list imensa?

Eu!

Quem detestava fazer malas, depois passou e agora voltou em força?

Eu!




Só estou na lista do que tem mesmo de ser. E ainda me falta uma lanterna.

O mercúrio vai continuar marado, mas que se lixe.
Eu tenho uma mala para fazer....

terça-feira, 2 de julho de 2019

Bye bye Hair

Assusta-me as pessoas que não mudam. Que mantém o mesmo corte de cabelo, que não arriscam numa cor.
Pessoas  que vivema mesmas férias, anos a fio, e, que na loucura, trocam Vilamoura por Quarteira.

Já tive várias cores de cabelo, tantas quantas as opções de tintas de supermercado.

Depois descobri o loiro.
Fiquei-me por aqui.
 Umas vezes comprido, outras mais claro ou mais escuro.
O ano passado experimentei o cinza para os meus 40 anos.

Voltei ao loiro.

Sempre cortei curto em mudanças de ciclo. Estou a começar um.
Nunca estive tão forte, tão segura e poderosa.

Mas há uns bons anos que não cortava bastante. Passar 15 dias sem água quente, abriu o caminho.
E ainda bem.

Um brinde à minha melhor versão.
Com cabelo ou sem.






quarta-feira, 19 de junho de 2019

De gorda a magra...

Ontem, uma amiga falava sobre uma página com um estilo muito peculiar, mas com muitos seguidores.
 O seu grande feito, foi o emagrecer bastante.
Eu também emagreci muito, respondi.
-  Ah, mas ela tinha obesidade mórbida e perdeu muitos quilos.

Eu perdi o marido! 😅

Mas o que eu quero escrever não é tanto sobre o que me levou a ir de um 42/44 para um 34/36, mas o caminho inverso.
O que me levou a ganhar peso.

Estava feliz. Dizem que a felicidade engorda. Pode ser. Mas sou feliz agora. Já estive feliz, outras vezes. Mas tão gorda, só no casamento e na gravidez. Com sentimentos muito díspares entre eles, mas no fundo, ambos implicavam, aquilo que hoje sei que é o meu valor fundamental - a liberdade.

Também sei, que podes escolher qualquer dieta, podes perder os quilos que quiseres, mas se não mudares o teu mindset, mais cedo ou mais tarde, eles voltam para ti.
E esse é o segredo de qualquer dieta.

Na verdade, de tudo na vida!

É o encarar de frente, o que nos levou naquele caminho.
 As feridas que temos de olhar, compreender e perdoar.
A aceitação da nossa responsabilidade sobre o que nos acontece.

Que temos de deixar de ter medo, de responder às perguntas certas. O que nos magoou, o que queremos guardar ou esconder, do que temos vergonha.
E depois ai, quando te verdadeiramente, amas, compreendes e aceitas, deixas de engordar só por respirar.


{ Viver numa concha, é para as ostras, e nem todas dão pérolas. }




sábado, 8 de junho de 2019

Dia da criança e um gato

Na sexta-feira à noite, apaixonei-me por uma gata cinzenta, no meu feed de Instagram.
Acordei, liguei para o Centro de Apoio Animal, perguntei pela gata. Estava disponível mas com indicação, de um valente mal feitio.

Passei uma parte da manhã, indecisa mas acabei por sair de casa, ter de dar duas voltas para estacionar e chegar ao jardim de Oeiras, 20 minutos antes de fechar o CAA.

À minha frente, ainda tinha uma indecisa pela gata cinzenta e, olhei para outro lado.
Acabei por trazer um gato, com ar de lince e de velho, com boca de panda, e pelo a dar para o leopardo. Rabo de macaco e um maricas de primeira.

Trouxe o gato, sem saber muito bem, o que iria acontecer com a gata. Como uma mimadona como ela ia reagir a um bebé.
Pela primeira vez, ouvi-a bufar.


Assim que o soltei, fugiu para a casa de banho e enfiou-se dentro da coluna do bidé. Onde ficou horas. Saiu, comeu, miou, fugiu.
De manhã, estava no motor do frigorífico. Onde ficou o dia todo.

Segunda feira, descobriu a minha mãe e o Rodrigo, depois de encontrar a entrada para o móvel do lavatório. É onde gosta de dormir, em cima do papel higiénico.

Ele e a Mel, continuam numa relação de amor / ódio. Tanto ela o lambe, como a seguir o feita abaixo num golpe de wrestling. Mas normalmente estão desencontrados no ritmo.

Bem, ele nota-se que é gato de rua, apesar dos seus 2 meses. Foge sempre que me aproximo. Às vezes, irrito-me, apanho-o à força, meto-o no meu colo, enrolado no meu robe. E aí acontece magia. Missão começa a ronronar. E fica horas ali a dormir. Posso fazer tudo e ele fica ali, todo consolado.
Se o meter no chão e for atrás dele, foge novamente.

E à noite volto a fazer o mesmo. Dose de colo e amor. Até perder o medo.
Todos os dias descobre um buraco novo para se enfiar. E chama pela Mel. Especialmente quando ela está, onde ele não chega.
Eu, estou  apaixonada.
Muito.









terça-feira, 28 de maio de 2019

Ping Pong Show

Estava na minha primeira noite em Phuket, vinda do sossego das Phi Phi.
Cheguei ao entardecer, no momento em que tudo muda, e a cidade vira caótica.

A minha amiga holandesa, conhecida em Bangkok, já me tinha falado dos shows, mas também ela não sabia muito. Só que tinha muito pouco a ver com ping pong.


Quando entro na rua, onde tudo acontece, e sou abordada com os convites para os free ping pong show, decido arriscar.

Sou revistada, dizem-me as regras que não é permitido filmar ou fotografar, e entro numa sala, cheia de sofás manhosos, um ambiente estranho e dois japoneses perdidos com shots, enquanto agarravam as tetas de uma tailandesa.

Sentei-me num sofá individual, meia recatada. Havia um ou outro casal.
Era a única mulher sozinha. Talvez fosse a única pessoa sozinha.

Trazem-me a carta, 30€ uma cerveja, consumo obrigatório. Toma lá, o teu free.


Atenção: a partir daqui é só para maiores de 18. Pessoas sensíveis talvez não devam ler. Não vou poupar nas palavras.😬

Ponto 1 - ping pong show são cerca de 15 actuações, que envolvem mulheres, poucos homens, animais, acessórios e vaginas. ( Vou tentar ser educada para o choque não ser tão grande).

Ponto 2 - Existe uma actuação em que o público é convidado a ir comer coisas do corpo das "bailarinas". Um show lésbico e um trio numa actuação com velas e cera derretida.
São as coisas mais softs.

Ponto 3 - os japoneses já tinham 2 tailandesas ao colo, mas já nem abriam os olhos.

Ponto 4 - Paga-se para ir à casa de banho.

Ponto 5 - mulher que trás todo um jogo de bolas, dentro da vagina, que vai largando conforme a batida da música. E ora manda bolas para o lado direito, como para o lado esquerdo do palco. Eu que vi tartarugas a desovar, achei a cena muito idêntica.

Ponto 6 - mulher que trás meia garrafa de Coca-Cola dentro da vagina, e num gesto de precisão, volta a encher a garrafa.

Ponto 7 - sabem o número dos mágicos, com o lenço que nunca mais acaba?! Igual.

Ponto 8 - não sei o que me chocou mais: se as tartarugas, os hamsters ou os peixes. Vivos. Que entraram e saíram vivos. De vaginas.

Ponto 9 - Acho que foram os Peixes. Sim, sem dúvida. Peixes vivos a saltarem de uma vagina, para o aquário. Repetido 3 vezes, para os dois lados e centro do palco.

Ponto 10 - não vi todos.

Ponto 11 - saí dali e fui cumprir um ritual budista de lançar flores ao mar, numa espécie de ano novo.

Porque a vida acontece fora da zona de conforto. 😉


Bruxas??!

 Dia de todos os Santos e o meu gato desaparece misteriosamente??!! {Primeiro uma tartaruga, agora um gato??} Não há bruxas o car****