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sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Fez, Marrocos

" Assim o amor se Fez..."

A viagem...

Chegámos por volta das 16:30, depois de uma viagem bem calma, num "tecoteco" como lhe chamo - avião turbo-hélice, ou a ventoinhas, para ter piada. Apesar de pequenino, voa muito mais baixo e permite-nos ir acompanhando toda a paisagem durante o voo.
Depois da segurança, vistos, segurança novamente, saímos com indicação para chamar um táxi, que teria depois de ligar para o dono do riade - Saíde - onde ficaríamos instalados.

Veio um homem ter connosco, querem táxi?
Sim!
Venham comigo.
Fomos com ele, já depois de ter falado para o alojamento, e deixou-nos com outro taxista, que não falava nada de nenhuma língua conhecida. Atravessámos a cidade inteira, até que chegámos ao largo, onde o Saíde nos viria buscar. Aparece um miúdo com um carrinho, que nos quer levar as malas.
O taxista diz que não.

O riade...

Entretanto chega o dono do riade, que nos embrenha a uma velocidade estonteante, pelas ruelas fedorentas da Medina. Eu só pensava onde nos vimos meter, enquanto tentava recuperar o fôlego e não me perder. Quando chegámos ao alojamento e subimos ao quarto, eu não queria acreditar. Tinha marcado um quarto superior com wc privativo. O quarto era superior, porque ficava no último piso, quase um 4.º andar, com umas escadas totalmente irregulares, e onde basicamente não se passava, de tão estreito que era. A casa de banho (ah, ah, ah), continuo a rir só de pensar. O quarto não tinha vidros, as janelas só tinham uma rede e portadas que fechavam. Pode ser simpático no verão, mas no inverno, é um frio terrível. Felizmente tinham cobertores que tinham tanto pó, que passei a noite com tosse alérgica.

Depois de nos ambientarmos ao quarto, pedimos algumas informações, sobre onde deveríamos jantar, arranjar um guia, e a nossa ideia de irmos a Chefchouen. Disse que nos viriam buscar para jantar e nos voltavam a trazer, para não nos perdermos durante a noite. Lá chegou o rapaz do restaurante, que nos levou no meio das ruelas, sempre em modo excesso de velocidade.

Quando chegámos trouxe-nos a lista, com a indicação que podíamos escolher entrada, prato principal e sobremesa. Não sei o que me passou pela cabeça e escolho para entrada uma sopa marroquina [eu que odeio sopa!] O homem lá se safou com uma omelete de queijo, e eu a tentar comer aquela coisa meio encarnada, cheia de tomate e coisas indecifráveis. Num esforço sobre-humano comi umas 5 colheres. O prato principal frango com amêndoas, as amêndoas eram tostadas e óptimas, o resto tinha uma molhenga peganhosa e "incomível" para mim. Sobremesa era laranja com banana, mas eu não posso comer laranja à noite. Para finalizar o tradicional chá de menta. Muito Bom!

Depois de pagarmos, acompanhou-nos de volta ao riade, onde traçamos o plano para os dias seguintes: sexta-feira visita guiada pela Medina, sábado seguíamos para Chefchouen onde passaríamos a noite, e depois logo se via a que horas regressaríamos.

A Medina...

A Medina de Fez tem mais de 1200 anos. É um labirinto cheio de ruas e ruelas, lojas que se organizam por áreas, gente, muita gente e animais. Centenas de gatos andam pelas ruas, carregadas de lixo - por aqui não há caixotes de lixo -, este fica às portas e é recolhido de madrugada. O sinal de gps funciona mal, há ruas que nem se consegue ver o sol.

Andámos sempre com o guia - Wifi - que passou mais tempo ao telemóvel do que a explicar-nos a história da Medina, e que nos enfiava em lojas estratégicas, porque ia rezar. Era sexta-feira, dia santo, e a toda a hora ouvia-se pelos megafones espalhados, o apelo à oração, naquela ladainha que se entranha ouvido adentro. Era ele, e os lojistas, que nos deixavam sozinhos e se recolhiam para rezar.

Durante a noite voltar para o riade era um filme. Por mais tentativas de decorar o caminho nunca conseguíamos acertar à primeira. A diferença do dia para a noite era abismal. Tudo se alterava com as lojas fechadas e as ruas ficavam todas iguais. Depois tínhamos sempre os locais a tentarem ganhar dinheiro com as indicações, dizendo que as portas estavam fechadas e não poderíamos ir por ali. Todos tentam ganhar dinheiro com alguma coisa.

O autocarro para Chefchouen

Eram 7 da manhã quando saímos do alojamento para irmos apanhar o autocarro das 8:00. De madrugada tudo aquilo volta a ser diferente, as lojas fechadas, pouca gente na rua, só quase com os funcionários da recolha do lixo. Conseguimos chegar à central de autocarros, depois de mais uma alma caridosa nos levar pelas ruas da Medina, à espera de dinheiro - que não levou!
Na estação tomámos o pequeno-almoço e seguimos para o autocarro. Depois de nos sentarem, o funcionário estende a mão - é normal dar 20 dirhams - diz. Toma lá a nota.
A viagem demora cerca de 4 horas e o autocarro ia com meia dúzia de turistas e o resto das pessoas eram locais. O autocarro ia parando no caminho, pelo simples bater de palmas das pessoas. Entravam uns, saiam outros. Havia barulho, telefones com música árabe em alta voz, pessoas em pé. Foram 4 horas e meia incríveis. Quando estávamos a 10 km do destino, o funcionário começa a perguntar quem ia seguir para Chefchouen e mete-nos fora do autocarro, dizendo que viria um táxi buscar-nos - "no paid, no paid dizia."  Tranquilo!

Chefchouen

Vindos de Fez, esta cidade parece o paraíso. É linda e vale bem a visita. Tudo em azul, a lembrar o nosso Alentejo, limpa, com as ruas arranjadas e largas. Depois a grande diferença entre as duas cidades: aqui os lojistas não chateiam. Não andam atrás de nós para entrarmos nas lojas, não nos puxam na rua, uma tranquilidade. Fomos convidados por um rapaz de uma loja, a entrar e a beber chá - o tradicional da hospitalidade marroquina- e pudemos estar sentados a conversar com ele e um amigo, professor de físico-química reformado. Por simpatia comprámos um lenço, mas sem qualquer imposição ou aborrecimento da parte dele.
Não conseguimos visitar muito porque no domingo chovia sem parar. Mas ainda bem que pudemos vir e não ficar só com a ideia do caos de Fez.
O autocarro de regresso foi muito mais calmo e a viagem fez-se tranquilamente. O pior foi chegar a Fez quase às 23:00 ter de partilhar um táxi, com uma turista e, entrar na Medina tão tarde.

Segunda-feira de manhã ainda demos uma volta por ali para acabarmos as compras e trazer umas babuchas que tinha visto, com pêlo, que talvez nunca use, mas que quis muuuuuuuuuuuiiiiiiittttoooo...

Adeus Marrocos, até ao dia em que voltaremos para o deserto...

                        (As tinturarias: ali o branco é xixi de vaca e pombo! )

                                                    ( A loja onde fomos à falência)




                                                           ( Chefchouen)





















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