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segunda-feira, 20 de junho de 2016

Fui e voltei

Fui de joelho e pé mazelados. Custou-me deixar o homem e seguir viagem sozinha. O avião ia cheio de portugueses e percebi logo que muitos teriam o mesmo destino que eu. Pintei as unhas no meio do aeroporto de Madrid. Cheguei a Ibiza e senti aquela felicidade de chegar a casa. Até me esqueci do homem. Depois de deixar as malas no hotel corri para o meu mergulho da praxe e a água estava espectacular. 

No dia seguinte acordo com a cara estranha. Penso que vou ter um ataque de herpes. Espeto-me na minha praia e passada uma hora, chega o inglês que tinha conhecido o ano passado. Tinha acabado de chegar à ilha. Coincidências. À minha volta continuam a estar velhos. Pilas e snaitas velhas e descaídas. Tão velhas que chegam a ir com os pensos da incontinência para a praia ( estou a pensar escrever um manual de etiqueta para praias de nudismo). 

A praia continua maravilhosa e a água com a temperatura que o meu corpo gosta. O meu corpo que ganha uma alergia assustadora. E todos os dias ganhava mais e mais borbulhas. A minha cara ficou uma autêntica chaga. A minha barriga dava dó. Passava as noites a tentar aguentar o sofrimento de uma comichão que não parava, nem com 3 zyrtecs e comprimidos para dormir por noite. Por Lisboa, tentavam adivinhar o que se passaria comigo. " É percevejos? É bicho? É alergia à comida?". 
- É praga! - dizia eu! 

Houve momentos em que considerei meter-me num avião e ir embora. Mas sou uma mulher que aproveito. Se estava bem na praia, era na praia que estava. As noites logo pensava nelas. E em como acalmava a comichão. 

O hotel estava cheio de gente estranha. Anorécticas, gays e até duas surdas. O que para alguém sozinha dá sempre mote para umas valentes gargalhadas. Cheguei a ir a uma festa da espuma e foi simplesmente hilariante!

Na última noite, não dormi simplesmente com a comichão. Só estava bem com toalhas encharcadas em cima das borbulhas. Levantei-me e fui ver o nascer do sol. Aquele nascer do sol, da minha praia. E não há borbulhas, nem comichões que paguem aquela visão. Despedi-me da ilha, sabendo que volto. Voltarei sempre, só não sei quando. 

Voltei... 

Procuro uma dermatologista de urgência. Encontro uma que me leva 80€ ( porque não me avisaram que a senhora não trabalhava com seguros) e assim que olha para mim diz-me que é alergia ao sol. Sem sequer se levantar da cadeira para me ver. O tempo que estive na consulta foi a senhora à procura das letras do teclado para me passar a cortisona. Surreal! 

E foram assim as minhas férias. Sou ou não sou uma mulher de sorte??!!!



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