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quinta-feira, 22 de junho de 2017

Gata no telhado

7 da manhã. Acordo com o homem a preparar uma video chamada de trabalho. Espero pelo despertador enquanto me distraio da preguiça matinal. Penso na gata que não vejo desde de noite e procuro-a pelo andar de baixo. Ele já falava em inglês e não podia ir lá acima, ver dela. Fui tomar banho. Ele desce. Eu pergunto-lhe pela gata. Diz que deve estar por aí. Digo vai ver da gata ao quarto, já com uma aflição no peito. Gata nada. Acordo o miúdo e volto a ver cada canto. No nosso quarto, as janelas todas abertas e um acesso livre ao telhado. Mel, Mel??? Nada! Descemos à rua. Mel, miauuuuu, miauuuuu, Mellllllllll. Lá oiço um miado sem perceber de onde vinha. Com a barulheira já se via alguns vizinhos à janela. Um miúdo do prédio em frente diz-me: estou a ver um gato no telhado! A sério? Onde? NO último prédio. Merda! Mel, Mel anda, anda... Nada. Miauuuu, miauuuu. Perguntámos o prédio tem alguma janela no telhado? Sim, tem!- respondeu o rapaz. Fomos tocar aos últimos andares, e explicámos a situação: a gata fugiu, está no vosso telhado e precisamos de ter acesso à janela. Ah, não pode ser, porque essa chave só o condomínio é que tem, e não sei quem é, só tenho o contacto da imobiliária. Foda-se, tudo a correr bem. Nós, não podemos atravessar 3 prédios em cima de telhados sem protecção e ainda por cima fazendo desnível entre todos. Melllllllll, miauuuuuuu!!! E a gata andava um pouco e não conseguia subir para o outro prédio. Porra, mais o raio da gata. Fui buscá-la ontem à minha mãe e hoje é este filme. Bem temos de ligar para os bombeiros. Merda, o país neste inferno e vou ligar para os bombeiros para me tirarem a gata do telhado?! Sim, vou! Ligo, pedindo logo desculpa pela ousadia e condenando-me de vergonha. Atiram-me logo com um " isso é complicado, para sair um auto-escada são logo 100€" - OMG! Mais vale ver se a gata se atira e eu tento apanhá-la cá em baixo e como é pequenina pode gastar uma das 7 vidas. Lá me dizem que vão mandar alguém para avaliar a situação. Voltamos a sair para ver se no outro prédio alguém tem o contacto do condomínio. Sai um vizinho, diz que também não tem, que é só gente nova por ali. Lá tenta ajudar a ver se nas escadas existe alguma indicação e nada! Vamos ter que esperar pelos bombeiros... Passado algum tempo, lá aparecem dois, de auto-escada... Sobem connosco para ver se conseguiam ir pelo telhado - a casa feita acampamento de ciganos que ainda não conseguimos arrumar tudo desde que chegámos de férias- enfiam-se pelo telhado a dentro e trazem-nos a nossa gata. Minha rica, feiosa e adorada gata. Chego ao trabalho às 9:45. Faço uma avaliação de estagiárias e sigo com o meu maluco "filho mais velho" para a injecção na saúde mental. Mostro-lhe a foto da gata ele diz: eh que feia! que gata tão feia! Pergunta-me se já teve gatinhos. Digo que não! Pois é tão feia que não há gato que lhe pegue! Ri-me. O segurança também se ri, entre dentes, por estar a ouvir conversas alheias. Quando nos despachamos quer trazer-me de volta ao trabalho, porque diz que me podem raptar. Almoço. Sigo para um velório. Enganam-me nas horas e tive 45 minutos a fazer "sala". Aparece uma beata amiga da defunta e diz vamos rezar. A família dá de frosques. Fico eu, que não sei rezar. Um calor infernal. E eu de pé a ouvir a beata. À frente do caixão. Volto para o trabalho. Vamos plantar uma azinheira com as crianças da creche. A seguir sigo para o lanche de despedida das estagiárias no nosso ATL, onde estão idosos também. Como diz o meu homem - tenho uma vida de sonho!

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Avião VIP

Quem é que chegou ontem num voo directo que trazia para além de nós, três figuras públicas? Sim, além de nós, que cá o meu homem é um escritor quase famoso. Bárbara Norton de Matos, vinda da sua lua de mel, sentada mesmo no banco da frente. Dois bancos atrás Margarida Rebelo Pinto, escondida atrás dos seus óculos garrafais. Lá pela frente vinha o César Mourão. Discreto. E de poucos sorrisos. E pronto acabei de cumprir a minha missão quadrilheira.

terça-feira, 13 de junho de 2017

Orgia de barro

Íamos com pressa aligeirada de férias. Queríamos chegar à praia e conseguir o Spot que as lésbicas tinham ontem, numa tentativa de conseguir a sombra, que daria uma sesta quando o calor apertasse. Pelo caminho cruzámos-nos com as holandesas chatas que tinham passado ontem o dia a cantarolar. Tentaram quase uma ultrapassagem pela direita numa clara tentativa de arranjar o melhor espaço. Não conseguiram! Chegámos ao nosso destino, felizes da vida por termos todo o espaço - com sol e sombra- e sem mais ninguém. Fomos ao banho e nem 10 minutos passados, chega um casal que vendo a nossa ocupação de espaço retira se para as pedras. Algum tempo depois pedem-nos a sombra. Novo banho e chega um rapaz com uma cadela - eu simplesmente o-d-e-i-o cães na praia- com ele trouxe um batuque. Estava montada a festa. Entretanto chamou uma amiga, depois o amigo cota perneta, e com ele mais dois cães. Já não cabíamos em nós de contentes. O casal da sombra não resistiu e devolveu-nos a sombra. O primeiro começa então a fazer uma máscara de barro. Besunta-se todo até ficar todo cor de laranja. Tenta persuadir a amiga a fazer o mesmo, começando por por-lhe nas costas com uma suave massagem. Entretanto chegam mais um rapaz, o exibicionista e a amiga inglesa. Ele fica nu, ela com o biquini que roubou à avó. Vão todos para dentro de água, só ficando os dois cães a guardar a perna, do cota aleijado. Uma cena surreal, sim! Algum tempo depois, nova sessão de barro. Os dois mais novos a passar a mão na miúda, numa luta de galos silenciosa. Ela, que de parva tinha pouco, ia aproveitando a atenção e as massagens. O exibicionista começando a perder terreno, inicia o jogo do eu-sou-mais-forte-que-tu-e-vou-andar-aqui-a-fazer-pinos. Nha,nha,nha...Estando agora 5 pessoas,3 cães e um batuque na praia, chega mais um casal, de cotas. Beijinhos para cá, beijinhos para lá, apresentações feitas e barro para cima. O primeiro rapaz decide atacar a inglesa. O exibicionista fica pior que urso. Ela tira o sutiã. Ele esfrega-lhe as costas, deixando-a com cor de gente. O perneta vai tomar banho. Os cães seguem-o. Os outros também. Já não aguentamos mais e vimos embora. Nós que quase corremos pelo sossego. Pela paz e nudez. Saiu-nos uma orgia de barro. Amanhã é outro dia.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Trovoada com bolinha

Deitei-me tarde.... O jantar atrasou um pouco, porque a noite estava convidativa e a conversa rolava a tinto e conhaque. Ainda fui ao banho e quando cheguei, o homem tentava fazer cumprir o castigo de ter lavado a louça. Ainda me fiz de difícil, como quando estou cansada e não me apetece trocas de amor. Mas ele com uma insistência que nem é habitual, perante tantos obstáculos que, em mim também são raros. Acasalámos devagar, devagarinho como a sorver a saudade, a distância e o amor. Naquela junção que é sempre maior, do que qualquer outro afecto. Adormeci tarde na esperança que pelo menos não acordasse de noite. Acordei. Eram 3:30 quando a janela clareou numa antecipação ao trovão que havia de cair. Tentei ganhar sono ou vontade de dormir porque sono tinha. Dei voltas e mais voltas, enquanto me encostava ao homem, que naquele momento, considerei o santo protector da trovoada. Abriu o olho e despertou, mesmo contrariando todo o sono que tem sempre. Espevitou, chegando-se agora a mim, não por receio, mas por atrevimento. Não houve resistência, como se os corpos estivessem telecomandados para o prazer. Nós os dois e os clarões da trovoada. Ao balanço da maré. Voltei a dormir... E a acordar com a gata a jogar à bola. Ainda o sol espreitava por cima da noite. Mal abria os olhos. Uma hora depois o despertador tocou. E não foi um pesadelo.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

10 anos! Porra, 10 anos?!

Estávamos em 2007. Maio. Eu estava grande e enorme. Os meus pés impediam qualquer espécie de sapatos. Andava apenas com umas chinelas azuis que adorava. Já não via a minha "rapachola" fazia meses. Nem eu, nem ninguém!Estava inchada, cara, mãos e, especialmente, os pés!Muito inchada e muito gorda. Talvez os pastéis de nata que emborcava todos os dias tivessem alguma culpa. Ou os cigarros que fumava de forma sorrateira, para evitar os olhares de desaprovação. A data prevista do parto era só para Junho. E eu até preferia assim! Ia ter férias e podia descansar antes da rebaldaria que a vida ia levar com a tua chegada. Era dia 23. Seriam umas 15:30. Agarrei numa pipa de 5 litros de vinho para a mudar de sítio e rebentaram-se-me as águas. O quê?! Agora?? Mas eu queria as férias! Ora... Mas amanhã é a festa de despedida e o almoço é cozido à portuguesa. Que péssimo timming! Encostei-me à janela, e ouvia o stress das minhas colegas de trabalho. Quis fumar um cigarro enquanto os nervos se apoderavam de mim. Levaram-me a casa mesmo contrariando a minha vontade de ir a conduzir. Chamei o pai, a minha mãe e acabei o saco. Já era quase final de tarde quando dei entrada no Hospital. Estava cheio e fiquei ainda um par de horas na sala de espera cá fora. Continuava a perder liquido amniótico e as minhas calças faziam "chlop chlop" quando caminhava. Toda eu tremia, por estar ali, numa situação que sabia que não tinha volta, por esperar, pelas pessoas à minha volta. Voltei a fumar um cigarro cá fora. Antes de me levarem para a noite mais comprida da minha vida. Começam os toques, os ecg's, os fios ligados a medirem tudo. Começa a fome a apertar. E não me dão de comer. E as horas passam e nada. Criança não dá sinal. Passam mais horas, mexo-me e remexo-me e saltam os fios todos. Chamo a enfermeira porque quero fazer xixi e não me deixam levantar. Não durmo. Tenho fome. Dormito um pouco. Chega a manhã. Muda a equipa e voltam a enfiar-me as mãos pelas entranhas acima. Continuo com fome e dão-me uma compressa para molhar os lábios. Era dia de cozido e eu ali. Deitada, sem me mexer e com muita fome. Ah, eu com fome! Na hora de almoço entregam-me um sugo de morango. Um sugo! Eu desfalecia de fome. Pensava nos chouriços, nas couves, no feijão enquanto sorvava o pequeno sugo. Mais umas mãos que se enfiavam em mim até que começam as contracções. E à fome junta-se as dores. Chega a hora de me tentar enrolar para me darem a epidural. Que faz pouco ou nenhum efeito. Continuavam a passar as horas. E as dores aumentavam. Muito. A porra da anestesia não fazia nada. Já era tarde avançada, sentam-me na cama e metem-me toda escancarada. Tenho dores viscerais. Grito que nem uma vaca a parir. Mas eu estou a parir caraças! Médicos nem vê-los. Faço força e força, mas não a tenho. Só comi um sugo. Penso quem é que pode dizer que este dia é o mais feliz da sua vida?! Depois de um grito que se ouviu na maternidade inteira lá chegam os médicos. O puto não sai. Lá lhe metem a ventosa para ajudar, depois de me abrirem sem piedade. Nasce às 17:37, do dia 24 o meu pequeno rato. Conto-lhe os dedos, oiço o chorar enquanto o limpam e chamam o pai. Será que agora podem dar-me comida?! Naaaaaaaaa, ainda tem de ser cosida. E tentar dar a mama, que no espaço de meia hora tinha triplicado de tamanho e pareciam duas bolas a tocar-me nos queixos. Eu quero comer porra! Lembro-me das lágrimas subirem-me aos olhos a primeira vez que te pus na mama, não sei se de emoção ou só de dores. Lembro-me de olhar-te e já teres a língua de fora, vicio que mantens até hoje. Lembro-me de não me deixares dormir e eu muitas vezes pensar em apertar-te o pescoço. De sentir as minhas mamas encherem e pingarem quando começavas a chorar e eu não estar perto de ti. Não me lembro da tua primeira palavra, nem dessas gracinhas que as mães devem se lembrar. Lembro-me da tua primeira gargalhada e de me ter rido com ela. Lembro-me dos teus primeiros dias de escola, nas três que já passaste. Revejo os cabelos brancos que ganhei estes anos, especialmente nas duas vezes que estive no hospital contigo. O teu pai esteve muitas mais vezes, mas ele é hipocondríaco e tem "issues". Cresceste, jogas à bola mas o que gostas mesmo é de tenis. Não estás um homem porque és um puto mimado. Mas estás grande! És muito inteligente mas ainda tens de aprender a lidar com a frustração. E com a raiva. Eu tenho de aceitar que gostas de peixe cozido. Blhac! E a ter mais calma mesmo quando levas a minha paciência aos limites. Gosto de ti, todos os dias. Há 10 anos e 36 semanas. Vou gostar de ti para sempre, na única certeza que tenho para além da morte. Parabéns, meu pequeno gordo!

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Praia, muita praia

Faltam duas semanas para ir de férias para a ilha. Faltam duas semanas, para ficarmos duas semanas totalmente livres. De pessoas, de trabalho e de roupa.
Mas mesmo não precisando de muitos biquinis para levar, tenho que confessar que a colecção da  Deeply está espectacular.

Vale a pena dar uma vista de olhos!


Lixo e peso, nada tem a ver....

Desde Abril que vivemos no barco. Ando a aprender (muito devagarinho) a viver com poucas coisas. A minha colecção de sapatos está em casa, assim como a maior parte da roupa e acessórios. Tenho poucas coisas no barco apesar do marujo achar que já são coisas a mais.

Às vezes passo em casa para trazer mais alguma coisa que me faz falta, como ontem trouxe a varinha mágica para os sumos de morango, que ambos estamos viciados. Vinha com um saco de coisas na mão, outro saco de lixo e as chaves de casa. Lanço o saco do lixo e oiço plim! Chaves de casa dentro do caixote. Chamo-me mentalmente de parva e digo consecutivamente asneiras sem fim. Vou ao carro, tiro o casaco, deixo o outro saco, olho à volta e claro que tinha de estar alguém, e salto para dentro do caixote do lixo. O que me vale é que havia pouco lixo e a coisa foi simples. Ainda me assustei e pensei como raio é que agora vou saltar daqui?!
Mas contrariando a idade metabólica que a balança da bodyconcept me tinha dado meia hora antes - 44!, Cruzes credo!
Consegui saltar e sair "limpinho, limpinho."

Por falar na balança do demo, perdi 2.200kg e agora já só faltam 10kg :) Mas para ajudar à festa, esta semana é a Feira Náutica e temos mesmo à porta uma carrinha dos gelados Santini.
Aguenta boca, aguenta!