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sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Cansaço mental

As últimas duas semanas têm sido um horror com a entrada de dois utentes novos que necessitam de cuidados permanentes. Ele vindo de uma depressão grave em que passava os dias deitado na cama, de estores fechados. Ela, que não tem nada a ver com ele, com o "alemão" como lhe chama. Vivem os dois viciados em mim.

 Ele está constantemente e permanentemente a abrir-me a porta do gabinete
(sem bater) só para me dizer:
 - "é a dra. Ana não é? O almoço está quase? O lanche está quase? É a Ana não é? "
E chama-me vezes infinitas por dia, ou batendo-me à porta do gabinete ou quando me encontra pelo caminho.
Hoje, pelo menos, variou no discurso apesar de continuar a chamar-me: 
" Ai dra. estou tão mal, vou morrer!" 

Vamos todos, amigo! Vamos todos.

Ela, viúva de um capitão, acha que está na messe de oficiais e fica chateada por não lhe prestarem vassalagem. Passa os dias a tentar fugir ou simplesmente a andar atrás de mim. Sempre numa lengalenga de um passado presente. Cheia de queixume, cheia de manias. Gosta de procurar-me e ficar sentada no meu gabinete. De manhã e à tarde. Fica aqui sentada à minha frente lamuriando-se. E eu numa paciência santa, tento deixar de a ouvir, só para que ela possa continuar aqui. 

E ele continua a abrir-me a porta...

E eu estou cansada, tão cansada que às vezes tenho vontade de mandar toda a gente para o meu passado!

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